ÁGUA - IDADE AVANÇADA

Data: 08/08/2009
Informações:

Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

"Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?"

Alguns arriscam:


"Tumor na cabeça? "  Eu digo: "Não".


Outros apostam: "Mal de Alzheimer?" Respondo, novamente: "Não".

A cada negativa a turma espanta-se.  E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:


1.        diabetes descontrolado;

2.        infecção urinária;

3.        a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.



 Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede,  deixam de tomar líquidos.


Quando falta gente em casa para lembrá-los, > desidratam se com rapidez..


 A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.


Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito),

coma e até morte.



 Insisto: não é brincadeira.

 Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água.

 Na adolescência, isso cai para 70%.

 Na fase adulta, para 60%.

 Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água.

 Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.


 Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica.

Mas há outro complicador:

mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.



 Explico:


Nós temos sensores de água em várias partes do organismo.


 São eles que verificam a adequação do nível.


Quando ele cai, aciona-se automaticamente um "alarme".


Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias.


Por isso, o corpo "pede" água.


A informação é passada ao cérebro, a gente sente sede e sai em busca de líquidos.

 Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes.


A detecção de  falta de água corporal e a percepção da sede ficam prejudicadas.

 Alguns, ainda, devido a certas doenças, como a dolorosa artrose, evitam  movimentar-se até para ir tomar água.



 Conclusão:


Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo.


Além disso, para a desidratação ser grave, eles não precisam de grandes perdas, como diarréias, vômitos ou exposição intensa ao sol.

Basta o dia estar quente  ou a umidade do ar baixar muito - como tem sido comum nos últimos meses.


Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e pelo suor.

Se não houver reposição adequada, é desidratação na certa.


Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.



 Por isso, aqui vão dois alertas.


1.        O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber

 líquidos.


Bebam toda vez que houver uma oportunidade.


Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam.


O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para

 dentro. Lembrem-se disso!


2.        Meu segundo alerta é para os familiares:

Ofereçam constantemente líquidos aos idosos.


Lembrem-lhes de que isso é vital.


Ao mesmo tempo, fiquem atentos.


Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção.


É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação.


Líquido neles e rápido para um serviço médico.



Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das


 Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


 






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